Teoria

Curso - O que é o comunismo?

Origens e antecedentes da ideia comunista

Gilson Dantas

Brasília

quinta-feira 18 de maio| Edição do dia

Na Universidade de Brasília vem sendo oferecido um minicurso intitulado O que é o comunismo [origens, auge, crise e perspectivas da ideia comunista], promovido pelo NEPPOS/Serviço Social, com quatro aulas ao todo, e cuja primeira aula foi realizada dia 11/5 passado.

Tema desta primeira aula: Origens e antecedentes da ideia comunista, Marx e o Manifesto Comunista.

Seu objetivo: levantar o debate que permita uma compreensão moderna e fundamentada a respeito de questões em torno da gênese da ideia comunista e, especialmente, do mundo real e histórico de Marx e Engels, onde múltiplas determinações sociais, históricas e políticas se cruzaram para que, na subjetividade daqueles dois revolucionários fosse se conformando a teoria do comunismo moderno.

Na primeira aula [cuja primeira parte dela, reproduzimos em vídeo abaixo] foram tomadas questões como:

Qual a ideologia dominante no mundo atual e porque a ideia comunista se coloca na sua contramão? Por que a sociedade realmente existente, capitalista, promove a modernização tecnológica, a globalização dos conhecimentos, a produção e o mercado, mas não consegue nem generalizar o uso social da melhor tecnologia, não consegue produzir uma tecnologia de cara humana, não-suja, tecnologia que em vez de priorizar o lucro, a devastação ambiental, seja humana, amigável e saudável em toda linha? O que tem o Manifesto Comunista a dizer sobre isso, sobre o fato de que o smartfone traz, detrás de si, trabalho ultraprecarizado e a miséria de legiões de trabalhadores, na China, por exemplo? Por que se pode afirmar, sem temor de errar, que o capitalismo é uma sociedade sem futuro e que, se deixada ao leu, conduzirá a humanidade à barbárie e a todo tipo de degradação? Por que militarismo, depressão, doenças superadas, fome, desamparo social, discriminação e opressão de todo tipo são pragas endêmicas nesse sistema fundado na comercialização de tudo, inclusive da vida?

Por que o comunismo da primeira metade do século XIX era um fantasma que rondava Marx? Como Marx chegou, pela filosofia, depois pela economia política [com Engels] e pela efervescente vida política de Paris, ao comunismo? Por que o comunismo é fundado na realidade e não tem nada a ver com utopias ou doutrinas de “engenharia social” tiradas da cartola? O que a tese de doutorado de Marx sobre a filosofia grega e sua paixão por Prometeu têm a ver com sua evolução comunista?

Qual a novidade do Manifesto Comunista? Qual a especificidade da classe trabalhadora moderna, fabril? Qual a diferença entre socialistas e comunistas?
Por que a burguesia se tornou, desde a “primavera dos povos” de 1848 [a mais europeia das revoluções] uma classe impotente, sinistra em relação ao proletariado e socialmente reacionária? Quais os antecedentes das lutas operárias em relação ao comunismo de Marx? Babeuf, Buonarotti, como parte da esquerda jacobina mais socialmente radical, que fio de continuidade os une a Marx, ao comunismo? Por que é absolutamente crucial a ideia desenvolvida no Manifesto Comunista sobre a independência política do proletariado?

Quais os antecedentes mais remotos e antropológicos para o igualitarismo social comunista? Qual a relação entre o primeiro partido político do proletariado, o cartismo, com o Manifesto Comunista e a Liga Comunista? Que grande mudança da subjetividade humana emerge com a era industrial e proletária? O que tem R. Luxemburgo a nos dizer a respeito das origens da propriedade privada e a longa vigência antropológica do comunismo agrário primitivo? Por que as conquistas sociais no capitalismo são necessariamente efêmeras, ao menos as mais importantes? Por que a luta de classes deve ser uma luta política?

Essas e outras questões foram abordadas na primeira parte da primeira aula, após a exibição de um pequeno curta sobre a comuna de Paris e também de uma comovente música produzida em torno das primeiras lutas operárias no momento em que Marx [1833] ainda construía suas teses do materialismo histórico e da ideia comunista, música intitulada Les canuts [Os tecelões de Lyon].

Caso lhe interesse você pode conferir a exposição dos problemas acima no vídeo abaixo, com a primeira metade da aula proferida por Gilson Dantas [pós-doutorando pela UnB, integrante do Esquerda Diário e autor de Natureza atormentada, marxismo e classe trabalhadora, dentre outras obras]. Aguarde a segunda metade da mesma aula 1:




Tópicos relacionados

Teoria

Comentários

Comentar